Informações sobre o Japão - Cultura

Informações sobre o Japão - Cultura

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CULTURA TRADICIONAL

BUNRAKU

Introdução

O Bunraku é o tradicional teatro de bonecos do Japão. Originário de uma arte plebéia, ele se desenvolveu, principalmente, durante o período Edo (1600 a 1868).

O termo Bunraku é relativamente recente. Dentre muitos estilos de teatros de bonecos surgidos no período Edo, apenas o estilo conhecido como Bunraku-za, organizado no começo do século 19 por Uemura Banrakuken em Osaka, sobreviveu comercialmente no Japão moderno, foi nessa época que a palavra Bunraku ganhou o significado de “teatro profissional de bonecos”.

O termo mais preciso que denota essa arte, “ningyo joruri”, corresponde aos elementos componentes do teatro: “ningyo ”significa bonecos e o “joruri”, ao estilo de narrativa dramática e a arte de recitá-lo acompanhado pelo shamisen (instrumento japonês). Historicamente, as duas artes eram independentes, e a sua junção deu origem ao Bunraku.

O teatro Bunraku apresenta tanto os dramas sérios, como os de entretenimento em seus roteiros belamente coreografados para um sensível público adulto. A performance é composta por quatro elementos: os bonecos, os operadores do boneco, o recitador (tayu) e o acompanhamento musical de instrumentos de corda (shamisen). Os bonecos atuam conforme o desenrolar do conto e o acompanhamento musical faz com que ele produza um efeito combinado semelhante à apresentação de uma ópera. 

O Boneco

Os bonecos utilizados no Bunraku medem cerca de 0,9m a 1,37m de altura, e são feitos de madeira de modo que cada parte do seu corpo possa ter movimentos independentes.

A complexidade dessa arte se deve ao fato dos bonecos não serem operados por fios, como no teatro de marionetes, mas sim por três operadores que necessitam trabalhar em harmonia a fim de que se possa criar um “timing” exato para cada movimento. A divisão de tarefas se divide da seguinte forma:

• O operador principal, o Omozukai, manipula os mecanismos de movimento dos olhos, sombrancelhas, boca com o seu braço esquerdo e da cabeça, com o direito. 
• O primeiro assistente, o Hidarizukai, opera os braços
• O segundo assistente, o Ashizukai, opera as pernas e realiza as batidas dos pés a fim de marcar o ritmo do shamisen e realçar os efeitos sonoros.

Normalmente, todos os operadores se vestem de preto, sendo que os operadores assitentes utilizam um capuz negro a fim de se tornarem “invisíveis”aos olhos da platéia. 
Uma particularidade das bonecas que fazem o papel feminino é que elas não possuem pernas. Para simular o movimento dos membros inferiores, o manipulador movimenta a bainha do kimono. 

O Recitador e a Música

O “joruri” é uma narrativa com acompanhamento musical. O seu recitador (Tayu) é considerado um artista de grande versatilidade, pois ele sozinho é capaz de desenvolver as falas de diversos personagens em diferentes formas para que o público possa distinguir a voz masculina da feminina, um jovem e de um ancião e do bem e do mal; para tanto o recitador se utiliza de tons que variam de um grave sonoro chegando até um alto falsete.
A narrativa do texto dramático é embalada por uma melodia profunda do shamisen (instrumento de corda). Pode-se dizer que nessa arte, a música não é apenas um acompanhamento para a narrativa, pois é ela que dita o passo e a velocidade da apresentação, já que em nenhum momento os operadores de bonecos, o recitador e o instrumentista se entreolham.

TEATRO KABUKI

Introdução

Kabuki, ao lado do Noh e do teatro de bonecos Bunraku, é um dos três gêneros mais representativos do teatro clássico japonês.O teatro Kabuki nasceu no final do século 16 como uma variedade teatral apresentada por grupos itinerantes.

A criação do Kabuki é atribuída a Okuni, uma atendente do Santuário Xintoísta de Izumo. Segundo documentos, sua companhia, formada majoritariamente por mulheres, realizava performances baseadas na dança e na atuação cômica às margens do rio Kamogawa em Kyoto. A sua trupe ganhou reconhecimento nacional e suas peças receberam o nome de Kabuki.

 

Por volta da Era Genroku (1688 a 1704) o Kabuki atingiu a sua maturidade teatral, e na Era Edo transformou-se na forma mais popular de entretenimento no Japão. O Kabuki atingiu o seu auge com as brilhantes peças de artistas como Tsuruya Nomboku IV (1755 a 1829) e Kawatake Mokuami (1816 a 1893). Através de uma mistura magnífica de atuação, dança e música, o Kakubi atual oferece um espetáculo combinando forma, cor e som, reconhecidos como uma das tradições mais espetaculares do mundo.

A palavra “Kabuki” significa “oblíqua”, cujos ideogramas em separado significam: “Ka” (cantar), “Bu” (dançar), “Ki” (representar). A etimologia da palavra é uma descrição adequada ao Kabuki, pois apesar de ser uma manifestação de arte dramática, é composta basicamente de música e dança.

Pode-se dizer que o Kabuki reuniu todas as formas teatrais japonesas, extraindo técnicas do repertório do Noh e do Kyogen, interlúdio cômico apresentado entre as peças do Noh, e também do teatro de bonecos Bunraku.

O “Onna Kabuki” (Kabuki de mulheres), popularizado por Okuni, foi se tornando cada vez mais sensual, atingindo um ponto que o Shogunato Tokugawa em 1629, temendo a desmoralização dessa arte, baniu as mulheres das peças desse gênero teatral. Os atores masculinos assumiram os papéis femininos e levaram a sua interpretação ao extremo da perfeição.Como resultado desse aperfeiçoamento desenvolvido no período de 250 anos, mesmo após a liberação da participação feminina, as atrizes não reassumirem o papel, pois já não havia mais espaço para elas.Pode-se dizer que a arte do “Onnagata” (papel feminino) representado por homens se tornou tão intrínseca ao teatro Kabuki, que se hoje fosse privado desse elemento, certamente, perderia a sua característica principal.

As peças do teatro Kabuki trazem consigo noções de moral da sociedade Tokugawa,como o Inga Oho (lei de retribuição de justiça), noções de Budismo, que resulta na destruição do mal e da felicidade após um longo sofrimento. Existe também a presença da noção de Mujo (efemeridade), que também deriva do Budismo, ilustrado pela queda de um líder militar ou a dizimação de uma família nobre. Algumas noções éticas baseadas no Confucionismo como obrigações, piedade filial, em controvérsia com desejos e paixões podem levar o desenrolar das peças a situações dramáticas. 

Interpretação

O princípio estético do Kabuki é baseado na sua forma de interpretação. Os gestos estão freqüentemente mais próximos da “dança” do que da “ação”, e quase toda a gesticulação é acompanhada de música. Em alguns casos o simbolismo é levado a um tal ponto de abstração que o personagem deixa de ser relevante chegando a entrar em conflito direto com a interpretação racional.

Uma técnica do Kabuki de máxima beleza é conhecida como “Mie”. Utilizada em momentos culminantes ou no final de uma representação clássica pelo ator principal, a técnica é baseada em uma pausa acompanhada de um olhar fixo em que os olhos se cruzam. 

Arranjo das cores

O cenário, o vestuário e a maquiagem do Kabuki são considerados os mais extravagantes do mundo, podendo afirmar que parte da popularidade do teatro se deve à sua beleza visual.


Elementos acústicos

A música é um elemento essencial no Kabuki, e o seu instrumento fundamental é o “Shamisen”, instrumento de três cordas tocado com uma palheta. 
À medida que a cortina se abre, a música vai avivando aos poucos a atmosfera com os seus acordes; os músicos ficam ocultos no canto esquerdo do palco. O ator conduz o diálogo e a interpretação ao som do acompanhamento musical.

A música do Kabuki é classificada em cerca de doze categorias dividida por escolas. As categorias mais conhecidas são o Nagauta, Tokwazu, Kiyomoto e Gindaiyu. 
Comumente utilizado em espetáculos de Kabuki é o toque de um instrumento de percussão que indica a abertura e o encerramento do espetáculo.

O palco

Atualmente, os teatros de Kabuki são construídos em estilo ocidental para facilitar a instalação de equipamentos, mas ainda mantém características tradicionais como:
- Hanamichi (rampa de passo-florido)
Além de ser a passagem que liga o fundo do teatro ao lado esquerdo do palco, proporcionando o caminho para a entrada e a saída dos atores, é considerada parte do palco principal, onde ocorrem algumas cenas mais importantes das peças.

- Mawari-butai (palco giratório)
Inventado no Japão há mais de 300 anos, serve para realizar mudanças rápidas de cenas sem interromper a seqüência do enredo. 
- Outros aspectos
O palco do Kabuki é retangular e mais baixo do que os teatros ocidentais. As cortinas dos teatros de Kabuki são em cores castanho avermelhado, preto e verde e não são puxadas verticalmente e sim, lateralmente.

O Kabuki e a Atualidade

Mesmo após a 2ª Guerra Mundial, a popularidade do Kabuki foi mantida graças à continuidade de apresentações de peças clássicas no Teatro Nacional de Tokyo, em Kabukiza. Até os dias de hoje, ainda são apresentadas peças completas, cuja duração pode chegar a cinco horas.

PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DA HUMANIDADE - UNESCO

CASTELO DE HIMEJI

Registros históricos mostram que no Japão existiram, pelo menos, 25.000 castelos. Os castelos que foram construídos entre séculos os 7 e 16 eram caracterizados por serem de pequeno porte, terem estruturas simples e possuírem fortes de defesa contra inimigos. Porém, a partir do período das Guerras (Sengoku Jidai), os senhores feudais que dominavam o Japão no final do século 16 começaram construir castelos de grande porte e de maior funcionalidade. 

O exterior dos castelos era protegido por paredes de pedras e fossos, e o interior construído de forma a ter muitos andares, envolto de um complexo posicionamento de portões e dispunham de torres de observação. O curioso desses castelos era o fato deles não serem construídos apenas com a finalidade militar, mas também para se firmarem como símbolos de autoridade e poder.

Após a Restauração Meiji (1868), muitos castelos foram demolidos, e os poucos remanescentes foram destruídos devido às guerras e desastres naturais. 
Os Castelos de Osaka, Nagoya e muitos outros, que existem atualmente no Japão, foram reconstruídos durante o século 20, particularmente, após a 2ª Guerra Mundial.

Um dos poucos castelos bem preservados e que mantém as mesmas características da época de sua construção é o Castelo de Himeji, localizado na Província de Hyogo. Ele é considerado, atualmente, o maior do Japão. Foi construído durante o século 17 quando as técnicas de construção de castelos atingiram o seu ápice. Com suas paredes exteriores revestidas de estuque branco, o mesmo material usado para firmar suas telhas, é comparado a uma garça branca altiva no céu, o que lhe dá uma aparência elegante e que lhe atribui a sua outra denominação: Castelo da Garça Branca. 
O Castelo de Himeji é um exemplo da tradição arquitetônica japonesa em madeira.

A construção do castelo foi iniciada por Terumasa Ikeda em 1601, o senhor feudal (Daimyo) que governava a área da região da província de Hyogo. A construção demorou 8 anos para ser concluída e contou com a força de aproximadamente de 24 milhões de trabalhadores.

  O Castelo de Himeji representa o auge da sabedoria e habilidade da engenharia civil, em uma época em que era necessário estar preparado contra ataques inimigos e desastres naturais. O estuque branco que cobre o castelo não só contribui para a sua beleza, mas também é resistente contra o fogo. O castelo construído em uma base de pedra é constituído por 5 níveis externos e 7 andares internos, o que dá a ele uma aparência estrutural de grande porte. A sua estrutura flexível possibilita a absorção de vibrações, sendo que o mais violento dos terremotos ocorrido em 1995 (Terremoto de Hanshin-Awaji) não conseguiu derrubá-lo.

O Castelo de Himeji é estruturalmente muito robusto. O impressionante é o fato de que mesmo após 400 anos de construção ele continua estruturalmente intacto, mantendo o mesmo estado da época em que foi construído, apesar de ser estruturalmente em madeira e não em pedra, como os castelos europeus.

No período em que a construção do Castelo de Himeji foi completada, no turbulento período das Guerras (Sengoku Jidai), a primeira linha dos shoguns de Ieyasu Tokugawa controlava todo o país. Seguiram-se 260 anos de paz livre das lutas entre samurais, período em que os castelos japoneses foram herdados por sucessivas gerações; entretanto, com a chegada do período Meiji (1868 a 1912), a política dos senhores feudais (Daimyo) sucumbiu, os castelos perderam as suas funções e muitos foram demolidos.Felizmente, o Castelo de Himeji escapou desse destino, mas sofreu com o descaso referente à sua manutenção.

No início do século 20, os moradores da cidade de Himeji iniciaram movimentos a fim de pressionar as autoridades para a preservação do castelo, o que resultou em um programa de restauração organizado pelo governo central. A cidade de Himeji sofreu durante a II Guerra Mundial e algumas de suas áreas foram reduzidas a entulhos, mas milagrosamente o castelo escapou da destruição. 

O Castelo de Himeji recebe anualmente cerca de 800.000 visitantes. Em 1951, foi designado um dos Tesouros Nacionais do Japão e, em 1993, Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

TEMPLO YAKUSHIJI

Vários “Tesouros Nacionais do Japão” estão localizados na cidade de Nara, antiga capital do Japão. Indubitavelmente, esta rica concentração de locais históricos dentro de uma pequena área no raio de dois quilômetros é algo muito raro. Outro fato bastante interessante é o fato de terem sido nomeados simultaneamente Patrimônios da Humanidade pela Unesco oito localidades situadas em Nara.

templo
Maquete do templo Yakushiji disponível no Consulado Geral do Japão em São Paulo

Os templos e locais honrados em 1998 com o título da Unesco são os templos budistas Yakushiji, Todaiji, Kofukuji, Gangoji, Toshodaiji, o templo xintoísta Kasuga e a montanha sagrada Kasuga e o palácio Heijo. Esses templos budistas e xintoístas possuem uma grande variedade de construções, ruínas e estátuas de Buda.

O templo Yakushiji é o resultado de um voto feito pelo Imperador Tenmu, no ano de 680, pela recuperação da saúde de sua esposa. Apesar de sua recuperação, o templo só começou a ser construído em 687. Com a morte do Imperador, a sua esposa, nomeada Imperatriz Jito, se encarregou de sua conclusão, tendo sido totalmente construído após 10 anos.

No interior do hall principal do templo, encontra-se o Buda Yakushi, ou o Buda da Cura. Originariamente em dourado, hoje ostenta uma coloração negra lustrosa. Ele é acompanhado por dois auxiliares, Nikko (Suryaprabha) e Gakko (Candraprabha) que representam o Sol e a Lua, respectivamente.

O templo fica entre dois pagodes formados por telhados em 3 andares, cuja peculiaridade é a alternância dos telhados maiores e menores, o que dá a eles uma aparência rítmica conhecida como “música congelada”. O “Pagode do Oeste” foi destruído durante a guerra civil japonesa (1528 a 1531), tendo sido reconstruído em 1981. Outras construções do templo foram restauradas ou reconstruídas entre os períodos Kamakura (1185 a 1333) e o período Edo (1600 a 1868). Apenas o “Pagode do Leste”, datado de 710, é original construção, tendo escapado da calamidade da destruição.