BOLSA DE ESTUDOS - MEXT - GRADUAÇÃO


DEPOIMENTO de BOLSISTAS

DEPOIMENTO [BOLSISTA - RICARDO GORGOLL]

Viver e estudar no Japão

No ano em que prestaria o vestibular, na procura por universidades para me inscrever, acabei me deparando com a bolsa de estudo Monbukagakusho do Consulado Japonês. Caso aprovado, receberia a passagem de ida e volta, bolsa mensal e ensino universitário gratuito. Como a inscrição era gratuita e não tinha nada a perder, resolvi me inscrever. Depois de provas, entrevista e mais de seis meses de espera, recebi a notícia de que havia sido aprovado. Mesmo tendo sido aprovado em vestibulares nacionais, decidi vir para o Japão.

Cheguei ao Japão no início de abril de 2005. As flores de sakura haviam acabado de brotar. Por não ter o domínio da língua e por ser a minha primeira vez num país estrangeiro, achei que o período de adaptação seria difícil. Mas logo na primeira semana, recebi a visita de senpais (veteranos) que me deram várias dicas sobre o cotidiano no Japão. Além disso, ainda me levaram para fazer turismo na região de Kansai; fomos para Kyoto, que por causa do sakura, estava realmente muito bonito.

A bolsa que ganhei consiste num curso de cinco anos: um ano de estudo da língua japonesa mais quatro anos do curso de graduação. O primeiro ano de curso ocorre na Universidade de Línguas Estrangeiras de Osaka ou de Tokyo, onde se reúnem os alunos bolsistas de todo o mundo. Antes do início do curso, é feita uma prova para divisão de classes, de acordo com o nível de conhecimento de japonês. Além do curso de japonês, também há aulas das matérias de humanas/exatas, quando são ensinados os termos técnicos em japonês e o conteúdo do ensino médio japonês que não são comuns nos outros países. No decorrer do curso, são realizados vários exames que determinam a próxima universidade, algo como um mini-vestibular. Nos quatro anos seguintes, as aulas passam a ser normais, junto dos alunos japoneses, não havendo mais diferenciação.

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passeio em Asakusa

Devido à diminuição da população japonesa, as universidades têm buscado muitos alunos estrangeiros, sendo que em alguns casos, o número de alunos estrangeiros chega a ser igual ao de japoneses. Por esse motivo, é possível fazer amigos do mundo inteiro e, ao mesmo tempo em que se aprende o japonês, treina-se o inglês.

Durante o primeiro ano que estive no Japão, consegui amigos da Indonésia, das Filipinas, da Argentina, da Nova Zelândia, etc. E, é claro, do Japão. A maioria dos meus amigos japoneses é estudante de língua portuguesa. Enquanto eles tiram as minhas dúvidas de japonês, eu tiro as dúvidas deles de português.

No tempo livre, costumo sair com amigos e sempre acabo conhecendo alguma coisa nova sobre o Japão.

Além do apoio financeiro, há várias atividades culturais. Em um dos programas culturais, “Host Family”, fui apresentado a uma família japonesa, e desde então sempre fazemos passeios juntos. Ainda há programas para se aprender mais sobre a culinária japonesa, ou passar um período na casa de uma família japonesa. Percebi que o povo japonês é muito gentil e que qualquer problema que houver, eles sempre estão dispostos a ajudar.

Apenas com um ano de intercâmbio já sabia que tinha valido a pena ter vindo para o Japão. É claro que vez ou outra há momentos difíceis, mas não se comparam com a experiência que estou tendo. Estou tendo a oportunidade de conhecer mais a língua e a cultura de meus avós, além de fazer vários amigos. Aconselho a todos que não desperdicem uma oportunidade de estudar no exterior, mesmo que não seja no Japão, mesmo que seja por apenas um período curto.

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café do Brasil no festival da Universidade

A decisão de vir para o Japão não foi feita de uma hora para outra. Depois de fazer a entrevista até sair o resultado final foram mais de seis meses de espera. Nesse meio tempo, pensei bastante se era isso mesmo que eu queria. Acho que também deu para os meus pais irem se acostumando com a idéia de eu ir para o exterior. Considerei que ia deixar a família e muitos amigos no Brasil, mas em compensação iria fazer novas amizades. Caso não me sentisse bem no Japão, poderia voltar para o Brasil a qualquer momento. Como essa oportunidade dificilmente apareceria para mim novamente, decidi vir para o Japão. O fato de ter passado no ITA e na FUVEST não pesaram na minha decisão, tanto que nem fui fazer a matrícula.

Não tenho a menor dúvida de que valeu a pena ter vindo para cá. Realmente consegui aprender muita coisa sobre o Japão, principalmente sobre a maneira de pensar da sociedade atual. Tanto o meu japonês como meu inglês melhoraram muito. Também consegui fazer muitos amigos. Mas é claro que também houve decepções sobre o Japão, coisas que antes de vir para cá imaginava de forma diferente, mas não foram muitas. A saudade que sinto da família é grande, mas voltando todo ano no período de férias, dá para aliviar um pouco. Ter vindo para o Japão tem os seus pontos bons e ruins, mas já se tornou uma das melhores experiências da minha vida.

 

Bolsistas
Bolsistas 2009 com o Cônsul Geral